ALOE VERA, PANACEIA?

Atualizado: 30 de out. de 2023

Na mitologia grega, Panaceia(ou Panacea em latim) era a deusa da cura. O termo " panaceia" também é muito utilizado com o significado de remédio para todos os males. A Aloe Vera pode não ser uma planta com funções mitológicas para todos os males, mas que tem muita atuação benéfica na saúde não se pode negar cientificamente. Para entendermos um pouco deste precioso vegetal é preciso conhecer um pouco da sua história.
O Aloe vera entre as plantas é uma das mais estudadas em todos os tempos pelos povos civilizados e não civilizados. Dos que tinham a escrita restaram algumas informações de seu uso curativo em todos os mais variados problemas, desde de distúrbios intestinais, cicatrização, pele, hemorroidas a doenças capilares.
Há cerca de 5.000 anos os egípcios a referenciavam como planta da imortalidade, mas foi com os sumérios estão os relatos como uso medicinal. Em uma das tábuas de argilas encontradas na cidade sumeriana de Nippur no século XVII a. C decifradas em 1953 conta em detalhes as qualidades laxativas. No livro egípcio dos Remédios ou o Papiro de Ebers escrito em torno de 1550 a.C, apresenta 12 fórmulas medicinais.
Após 450 anos da morte de Hipócrates considerado o pai da medicina, no ano 74 d.C. um médico grego chamado Pedanius Dioscórides que pertencia ao exército romano em sua obra denominada de “De Matéria Médica” menciona entre outras coisas a utilização para curar a queda de cabelos, dor nos olhos, úlceras genitais (talvez herpes genital), problemas de amígdalas e terminar com problemas de hemorroidas. Outro que também escreveu foi Plínio, o Velho (23 – 79 d.C.) em sua obra “ História Natural”, em Roma menciona que suas raízes cozidas podiam curar as úlceras leprosas.
Em 685 d.C. o médico Grego Paulo de Egina descreve a Aloe como agente antiflamátorio. O médico e alquimista Paracelso em sua obra “ Botânica Oculta” publicada em 1529 menciona a importância na cura de queimaduras e envenenamento do sangue.
Há relatos reservados da Idade Média que um dos segredos da longevidade dos Cavaleiros Templários residia no famoso elixir de Jerusalém, composto por uma mistura de polpa de babosa, cânhamo, vinho e palma. (XAVIER, 2009, p.25). Os Árabes introduziram a babosa na Espanha. Na conquista do Novo Mundo (as Américas) os missionários jesuítas difundiram o uso em suas sedes missionárias entre os nativos que catequizavam.
No ano de 1700, o botânico Carol Von Linne tilizou pela primeira vez o nome científico de Aloe Vera, inicialmente chamando-se Aloe vera Linne, para tornar-se depois Aloe Barbadensis Miller, que se tornou, por fim, o nome científico da planta, apelidada de babosa nos países de idioma português. Quando o botânico inglês W. Miller chegou ao Cabo da Boa Esperança, ficou surpreso com a pele resplandecente dos nativos, inclusive entre os mais velhos. Eles lavavam o corpo e os cabelos com a gel da Aloe, que provavelmente os protegia da radiação solar ultravioleta. Também era usada para proteger de picadas de insetos, curar feridas e também para caçar, já que o cheiro dos seus corpos ficava anulado contra o vento por estarem cobertos do gel.
Nos tempos modernos, no ano de 1963, três médicos da Flórida Blitz, Smith e Gerard publicam que haviam curado doze pacientes de idades diferentes acometidos de úlceras pépticas. Naquele mesmo ano a drª. Lorenzetti e seus colegas divulgaram que a Aloe Vera inibia o desenvolvimento de uma grande variedade de microrganismos, entre eles o staphylococus aureus, staphylococus pyogenes, corynebacterium xenosis, shigella paradysenteriae, salmonela typhy e salmonela paratyphy.
Dez anos depois os doutores El Zawahry, Rasahd Hegazy e Helal, o primeiro deles, professor de dermatologia da Universidade do Cairo e os outros dois empregados de uma companhia farmacêutica publicaram no International Jornal of Dermatology. Explicavam a utilização da polpa da Aloe para tratar úlceras cronicas nas pernas.
Entre os componentes ativo do Aloe encontra-se o o acemannan, um tipo decarboidrato que compõe cerca de 78% da folha interna do gel do Aloe vera, é responsável por muitos dos benefícios ativos encontrados.
O acemannan é um polissacarídeo extraído das folhas do Aloe vera. Este composto é conhecido por ter propriedades imunoestimulante, antiviral, antineoplasico e gastrointestinal. Aloe Vera, pertencente à família das liliáceas, inclui cerca de 15 gêneros e 800 espécies, aparentada com as cebolas, alhos e aspargos, as tulipas, os lírios e os jacintos.
Pelas pesquisas modernas de renomados institutos independentes tem chegado à conclusão de sua eficácia como antisséptico natural, anestésico, com fácil poder de penetração nas sete camadas distintas da pele, bactericida, destrói numerosos vírus, fungicida, antiflamátória, antipruriginosa (detém a coceira), decompõe e elimina os tecidos mortos, favorece o crescimento celular normal, hidrata os tecidos, é antipirética.
Muitas pesquisas continuam ainda serem feitas para descobrir tantas outras ações ativas no organismo humano. No suco Aloe Vera Gel da Forever Living, é somente usado o gel do Aloe vera. Em suma o Aloe vera pode não ser o Bombril, mas tem suas mil e uma utilidades!
FONTES
FREITAS, V.S.; RODRIGUES, R.A.F. 2,3; GASPI, F.O.G .Propriedades farmacológicas da Aloe vera (L.) Burm. f. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rbpm/v16n2/20.pdf>.
OLIVO ,Rubison, ; RIBEIRO, Lair Geraldo Theodoro. OS 6.000 ANOS DE HISTÓRIA MEDICINAL DO ALOE VERA. Vol.15,n.1,pp.129-133 (Jun - Ago 2016) Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research – BJSCR. Disponível em: < https://www.lairribeiro.com.br/.../129-133-rev-template...>.
STEVENS,Neil. O Poder Curativo da Babosa: Aloe Vera.São Paulo: Madras, 1999.
WIKIPÉDIA. Panaceia. Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Panaceia.> Acesso em: 20 dez. 2021.
XAVIER, Ernani. Eficácia da Babosa: Evidências científicas e terapêuticas.Flolrianópolis, SC: Livros Essenciais, 2009.




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